Ney lança Praça da Juventude, mas esquece do Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência
Seguindo a linha de Chico, ele inaugura uma obra com anos de atraso, mas novamente esquece dos jovens portadores de necessidades especiais que não têm visibilidade na cidade.
Por Redação
29 junho, 2018 às 20:15
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Ney lança Praça da Juventude, mas esquece do Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência
Ney lança Praça da Juventude, mas esquece do Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência (Foto: Reprodução)

O espaço que também seria o Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência, como foi prometido por Chico, agora é anunciado como centro de convivência para idosos.

Na luta ha cerca de 20 anos pela inclusão, uma moradora de Embu denúncia o descaso do governo em relação às pessoas com deficiência e conta a martírio que tem sido a vida dessas pessoas e de suas famílias para terem direitos básicos como a educação.

Mãe de uma jovem de 24 anos, portadora da Síndrome de Angelman, ela preferiu que sua identidade não fosse identificada por medo de represálias, e conta como tem sido a luta para dela e de outras mães e pais para manterem seus filhos matriculados no Centro Educacional Para Deficientes Armando Vidigal, em Embu das Artes.

Preocupada com a situação de sua filha e de outros jovens portadores de necessidades especiais que já completaram a maioridade, ela explica que apesar da existência da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), que garante em seus Artigos 27 e 28 o aprendizado ao longo de toda a vida, a cada ano que se inicia “é o maior perrengue para conseguirmos manter essas crianças no Armando, segundo o secretário de educação [Pedro Ângelo], no próximo ano nossos filhos não vão mais ter atendimento no Armando, e aí entra a questão do Centro de Convivência”, explica.

“Esse Centro de Convivência é uma luta nossa há muitos anos, conseguimos verba para a construção desse espaço, no entanto o atual prefeito resolveu entregar esse espaço, uma espera muito antiga de dez anos, e ele entrega com muitas falhas, sem refeitório, um espaço que na realidade nem foi construído com estrutura para o deficiente”, conta.

Segundo ela, pela quantidade de deficientes no município, o espaço é muito pequeno, e vai ser um espaço para poucos, um espaço simplesmente para fazer marketing e campanha eleitoral. “Ele ta entregando às pressas sem refeitório, sem acessibilidade, e na cerimônia de inauguração com certeza eles só vão mostrar as coisas positivas, mas a população tem o direito de saber que infelizmente esse governo não dá esse espaço”.

“Minha filha está com 24 anos, ela está no Armando desde que ela tinha 2 anos de idade. Pouco antes de ela completar 18 anos houve uma decisão do governo federal que haveria terminalidade, até os 18 anos ficaria na escola e depois não haveria mais atendimento dentro da educação. Vários pais tiveram que tirar seus filhos do Armando, e aí pensamos em construir algo que seria o Centro de Convivência”, explica.

Ela afirma que a discussão começou durante o mandato do ex-prefeito Geraldo cruz (PT), onde o também ex-prefeito Chico Brito (ex-PT e atualmente sem partido) era assessor de Geraldo e começou a acompanhar estes pais na busca pelo Centro de Convivência, e quando assumiu a prefeitura, Chico prometeu que o entregaria em seu primeiro ano de mandato, o que não aconteceu.

“Como os pais já estavam mobilizados e muito angustiados porque uma parte desses jovens já tinha saído do Armando e nós começamos a sofrer uma sequência de perdas de crianças e jovens, porque eles não aceitavam não ter mais a escola, então eles ficaram deprimidos, começaram a convulsionar, alguns tiveram aumento na medicação, e aí os pais começaram a se juntar e nós começamos a acompanhar o drama de cada família”.

Sem sucesso com as promessas do executivo, os pais partiram então para a Câmara, ”e aí apareceu o João Leite, que já tinha uma proposta antes de ser eleito e já havia nos procurado com a sugestão do Centro de Convivência. Nós junto com o pessoal do gabinete dele montamos esse projeto, que já era uma promessa do Chico, e que incluía também a formação do Conselho da Pessoa com Deficiência no município”.

Um novo espaço onde estes jovens pudessem realizar suas atividades era muito importante, inclusive para manter a saúde deles. Vendo a necessidade e a insistência dos pais, um padre emprestou um espaço da igreja que fica no “Buraco do Sapo”, para que a prefeitura utilizasse até que o centro prometido por Chico ficasse pronto, o prazo desta vez era o primeiro ano de seu segundo mandato.

Então foi aberto o Centro de Convivência neste espaço emprestado, que passou a atender os jovens de segunda a quinta. “O tempo foi passando e o prazo que a igreja deu para o Chico venceu e a igreja tomou o espaço. Então o Chico alugou um espaço aqui no centro do Embu”, contou.

Segundo ela o espaço é pequeno e não tem infra-estrutura para atender estes jovens, caso de ministério público, pois o espaço é muito pequeno, e inadequado para os deficientes porque são jovens grandes, e o local é uma residência com ou dois banheiros.

Para ela o Centro serve apenas “para eles fazerem uma campanha de que dão atendimento aos deficientes, eles fizeram uma redução no tempo de atendimento, e atendem duas horas por dia, dois dias por semana. Mas na propaganda fala que o Centro de Convivência funciona, atende 63 jovens e todo aquele blá, blá, blá, tudo mentira, porque o atendimento é muito precário”.

Ela conta ainda que com o apoio de João Leite (ex-PT, atual PROS), que na época era vereador e do deputado federal Carlos Zarattini (PT), montaram um projeto que foi enviado para o governo federal e aprovado. O valor final era de 1,5 milhão, e foi liberada a primeira parcela no valor de 500 mil.

Apesar da liberação a prefeitura tinha que estruturar um terreno para que a obra fosse feita, o que também não aconteceu. “Então ele [Chico Brito] montou um projeto com 5 secretarias: esporte, cultura, social, saúde e educação, como ele envolveu o esporte e já tinha esse projeto da Praça da Juventude, que já estava em andamento, o Chico pegou uma parte dessa praça, que já tinha uma carcaça de pé, e aí ele decidiu que este espaço seria o Centro de Convivência da Pessoa com Deficiência, sem muitas opções, nós aceitamos”.

Sem respostas sobre a conclusão do Centro, e vendo as propagandas por toda a cidade da inauguração da Praça da Juventude, ela entrou em contato com a prefeitura. “Há duas semanas eu liguei para o engenheiro da obra para irmos lá ver como é que estava e segundo o engenheiro eles precisam entregar o espaço para depois fazer as modificações como o refeitório e as rampas de acesso”.

Ela também citou o caso do jovem que está estudando no Centro Educacional Para Deficientes Armando Vidigal através de liminar, pois a secretaria de educação de Embu diz que ele não tem mais direito de estar na instituição. “Esse secretário chegou e falou que os nossos filhos não vão ter mais atendimento. E por incrível que pareça, a Lei de 2015 [LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015] dá atendimento permanente para deficientes, e agora esse governo bateu o martelo e falou que não”.

Ela conta que amparada pela Lei, procurou um advogado que entrou com um pedido e ganhou, “só que eles recorreram, e há duas semanas voltamos a os reunir com o secretário pra pedir para eles pararem, porque não dá pra ficar mexendo com a cabeça dessas crianças”.

Ela diz ainda que os número passados pelo governo mostram que atualmente eles atendem 63 jovens no centro de convivência, porém, não se sabe quantos jovens não tem nenhum atendimento da prefeitura. “Não temos idéia de quantos têm, eu sei que o numero é grande de deficientes que não tem atendimento nenhum do município”.

“Eles cortaram com todos os projetos da cultura, do esporte, fui conversar com o vereador Hugo Prado (PSB) a respeito disso, cobrar dele o porquê que eles estão cortando os trabalhos com os deficientes, o que ele me respondeu foi que eles não têm verbas para manter os atendimentos. Eu disse que é impossível não ter verba para esses atendimentos, porque quando o Embu era mais pobre, nunca deixou de dar atendimento. Ele disse que o ex prefeito deixou uma dívida de 240 milhões, e eu disse que não somos nós que temos que pagar por isso”.

Ela contou ainda que “no início do mandato do Ney Santos (PRB), ele publicou no facebook que aquele espaço seria um centro de convivência para o idoso, aí eu ligue na prefeitura, pois é um projeto com verba que nós buscamos e eles não podem entregar este espaço para os idosos, aí eles deram a desculpa de que foi um erro da comunicação, mas desde esse dia eu fiquei com o pé atrás”.

Na ultima terça-feira (26), o secretário de comunicação que recentemente pediu afastamento, Jones Donizette, postou em suas redes sociais um vídeo mostrando a obra quase finalizada da Praça da Juventude e dizendo que “o local terá uma pista para salto, quadra de vôlei de praia, quadra poliesportiva coberta, área de exercícios e um centro de convivência para idosos”, e nem sequer citou o espaço para os deficientes.

“A gente já vem brigando e lutando pelo mínimo faz muitos anos, e isso é um breve resumo do que já passamos e continuamos passando. E desde que esse governo assumiu, nós só conseguimos uma reunião com os secretários e com ele [Ney], já tem um mês e meio que eu estou ligando e pedindo uma reunião para nos darem um retorno sobre o espaço, do porque destes cortes, se existe possibilidade desses trabalhos voltarem a funcionar, só que é um descaso, uma arrogância, uma prepotência tão grande, que eles nem sequer se dão ao trabalho de dar satisfação”, contou.

A reportagem do Furão procurou o secretário de educação Pedro Ângelo, porém não tivemos retorno até o fechamento da reportagem.