O retrovisor de Bolsonaro ou o avesso do avesso, do avesso, do avesso…
O "homem contra tudo e contra todos, por Deus e pela pátria" que 'marketaram' em Jair Messias Bolsonaro, não se sustenta a uma olhadinha no retrovisor...
Por Redação
17 setembro, 2018 às 20:52
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O retrovisor de Bolsonaro ou o avesso do avesso, do avesso, do avesso...
O retrovisor de Bolsonaro ou o avesso do avesso, do avesso, do avesso... (Foto: Divulgação)

Por Ubiratan Ribeiro, militante do Círculo Palmarino e do PSOL.

No texto anterior dessa coluna, vimos o quanto era frágil no político a ideia de “novo”, “ético”, “paladino da moral”, o “anti-sistema” da política nacional… numa simples observação da vida pública dessa figura vimos que essa ideia é tão frágil quanto seda na garoa. Côncavo e côncavo, não encaixa. Enriquecimento repentino de sua família na política, e um estilo de vida “gangsta e bárbaro” do cabra, são as marcas do seu tempo em sua face enrugada.

Nesse texto vamos tentar testar essa ideia de que Bolsonaro foi em seus 27 anos de deputado no Rio de Janeiro, praticamente um “Dom Quixote de La Mancha” no Congresso Nacional, basicamente um oásis naquele deserto do conservadorismo e da manutenção dos privilégios do andar de cima, representado pela grande maioria de parlamentar daquela casa, com raras exceções, chamas de resistência, que apesar de poucas e insuficientes ( talvez não chegue nem a 10%), são fundamentais e fazem toda diferença nessa luta de interesses de classes, nos cerca de 30 anos pós período da ditadura empresarial-militar de 64-84. Mas será que Bolsonaro, que está em primeiro lugar nas pesquisas pra presidente, e também está em primeiro dos mais rejeitados, com quase 50% de rejeição, será que esse ser foi realmente esse “Zorro” no Congresso, que durante os 30 anos de carreira política, foi mesmo um contestador dessa velha política? Foi mesmo Bolsonaro este “cavalheiro solitário” que na visão de alguns seria a “única esperança de salvar o Brasil?” Vamos ver…

A vida desse sujeito é marcada por uma confusão caótica e por muita controvérsia e contradições. Isso vem desde o período em que servia ao Exército, na época da ditadura, que atualmente ele tanto exalta. Mas que na época era um soldado um tanto subversivo, envolvido em polêmica até hoje mal explicada, como a que diz que o candidato queria colocar uma bomba no quartel, mas foi descoberto, ou mesmo a afirmação de seu superior na época dizendo que Bolsonaro “tinha permanentemente a intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos”, ou seja, tinha sede de poder, sempre foi violento e com uma mente muito confusa, com dificuldade de articular de forma compreensível ideias simples.

Bolsonaro iniciou sua carreira política quando se elegeu vereador pelo PDC (Partido Democrata Cristão) em 1988 e no a no seguinte começou seu primeiro mandato de deputado federal por este partido pelo estado do Rio de Janeiro. De lá pra cá passou por 8 partidos, dentre eles: PDC, PPR, PPB, PTB, PFL, PP, PSC e agora mais recentemente o PSL, pra disputar a presidência. Mas o que muito me chama atenção, é que o partido que ele passou mais tempo foi justamente um dos principais protagonistas de escândalos como o do “mensalão” por exemplo, Bolsonaro passou 10 anos no mesmo partido, o PP ( Partido Progressista ) ao lado de aliados como o Paulo Maluf, por exemplo, que tem um bordão muito famoso conhecido como aquele que “rouba mas faz”. Do final do primeiro governo de Lula (2006), até o ano do impeachment de Dilma em 2016, Bolsonaro passou filiado a este partido que coleciona escândalos de corrupção, e ele nunca nem sequer se incomodou nada com isso… Engraçado é que ele diz que a culpa de todo o mal do país é o PT, afirmando que este partido teria quebrado o país, mas desde a gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Bolsonaro tem votado junto com a bancada do PT na maioria dos assuntos relacionados a economia, chegou a afirmar inclusive que gostaria de fuzilar o então presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardozo, quando se posicionava também junto com a então bancada do PT em boa parte dos temas da economia propostos pela gestão tucana na época, criticando as privatizações e a venda de estatais, temas que novamente pra disputar a presidência já mudou e agora defende a política entreguista tucana… Esse é o verdadeiro Bolsonaro, se é que tem algo real nele, mas é seu retrovisor…

Bom, esse é mais um episódio da nossa série “descontruindo a farsa mitológica!”, que mostra que Bolsonaro sempre esteve envolvido no jogo da velha política e nunca se sentiu incomodado por sentar a mesa e fazer parte de grupos políticos que representam verdadeiras máfias, e que a história já deixou muita coisa a mostras, como sua relação com Paulo Maluf, sendo que se trata de um político carreirista, que ficou milionário na política e tem um trabalho apresentado absolutamente pífio, com nenhum projeto na área da segurança para o Rio de Janeiro por exemplo, que hoje encontra-se a maior babilônia, e o povo sofrendo a guerra que é uma chaga aberta. No próximo texto vamos falar de alguns posicionamentos políticos de Bolsonaro, recentes, que demonstram que não tem condições éticas, programáticas de querer ser presidente do povo brasileiro. Como na votação da EC 95, que congela os investimentos públicos por 20 anos, ele votou junto com o presidente corrupto Michel Temer, apoiando o presidente ilegítimo nessa maldade, que vai impedir que seja investido qualquer recurso em áreas de profunda importância, como concursos públicos, maternidades, educação, cultura, lazer… Como alguém que quer ser presidente aprova uma medida como essa que boicotará seu próprio trabalho no futuro, caso tivesse alguma chance de ser eleito? Confira no próximo texto!

#aFarsa